Gears of War (quadrinhos)

A Panini aprendeu nos últimos anos a programar seus lançamentos com os equivalentes em outras mídias. É o caso desta coletânea das edições de número 1 a 6 da HQ baseada no jogo do console Xbox 360. Gears of War 3 sai dia 20/09 e esta edição chegou uma semana mais cedo para aproveitar a ansiedade da espera dos fãs pelo jogo.

A história se passa entre o primeiro e o segundo jogo, com roteiro de Joshua Ortega e desenhos de Liam Sharp. Também foi de Ortega o roteiro de Gears of War 2. O esquadrão Delta está na história, assim como alguns novos personagens e a legião de monstros que os jogadores já se habituaram a matar. A missão do esquadrão é resgatar sobreviventes dos escombros das cidades destruídas e se manterem vivos até o fim da missão. E é isso.

Sim, na verdade não tem roteiro. Nas 6 edições reunidas não acontece nada que evolua a história, que explique algo, que crie alguma nova situação não vista nos jogos, ou algum novo inimigo. As páginas são uma repetição de tudo o que já foi visto nos 2 primeiros jogos. O que é uma pena.

É uma pena porque muito poderia ter sido aproveitado nessa HQ. Os jogos pouco mostram do passado dos heróis, de como os monstros surgiram, qual o plano deles, etc, etc. E a HQ podia ajudar a suprir essa falta. 

O mais lamentável é que no miolo está um personagem que poderia trazer algo de consistente a Gears. Jace centraliza o cérebo e a emoção da história com flashbacks que tentam explicar seu passado, seus traumas e sua necessidade de salvar o máximo de vidas possíveis. Os melhores traços de Sharp também aparecem nesses momentos, saindo do padrão e mostrando alguma personalidade. Mas, a cada página com esse conteúdo, se sucedem 10 de lutas e batalhas sem muita explicação ou objetivo. Como as fases de um jogo de tiro que são intercaladas por vídeos da história. Mas, numa HQ isso pode não funcionar muito bem. 

O mais curioso, é que na introdução, Cliff Bleszinski, diretor de arte da Epic Games, escreve que o objetivo da HQ é exatamente explicar o universo de Gears, uma vez que no jogo não existe oportunidade para isso. Espero que então eles realmente o façam nas próximas edições.

Mas, não acredito que a Panini lance outra coletânea de Gears, a não ser que esta edição venda horrores. Não lamento por isso. Os jogos, apesar de terem o mesmo conteúdo superficial, pelos menos transmitem emoção pelas batalhas. Nesta HQ, nem isso.

Recomendo apenas para os fãs que querem ter tudo sobre o jogo, ou colecionadores. 

148 páginas - R$ 18,90 - Panini - 2011

O Poderoso Livro Pop-Up da DC

Numa das idas à Fnac, onde fico perdido por horas apreciando tudo o que não posso comprar, meu filho me chamou para ver esse livro, DC Super-Heróis: O Poderoso Livro Pop-Ud. Achei espetacular!

Nesse tipo de livro, a cada página o cenário e os personagens são montados na sua frente, como que por magia, com profundidade e além dos limites das folhas.

A história dos principais heróis da DC, como Superman, Batman, Lanterna Verde, etc., é contada de forma resumida. A escrita é simples, claramente direcionada para um público abaixo dos 10 anos de idade, mas que conquista os grandes, como eu, apaixonados pelos heróis dos quadrinhos. Na seção de cada herói existem pequenos quadrados com complementos dos amigos e inimigos, que ao serem abertos também formam figuras tridimensionais. Muito bom!

Destaque para as páginas do Batman, onde reside uma surpresa à base de pilhas (inclusas no livro)!

Matthew Reinhart é especialista neste tipo de trabalho e lá fora é conhecido principalmente por sua ediçao pop-up de Star Wars, a qual ainda pretendo encontrar.

 Capa dura - 14 páginas - R$ 89,90 - Salamandra - 2011

Homem-Aranha Noir

Sempre fico receoso com edições especiais que mostram heróis em universos alternativos ou épocas diferentes das suas histórias mensais. Infelizmente, na sua maioria, o resultado não é satisfatório para o fã. Fica aquela sensação de caça-níquel

Bem, não é o caso de Homem-Aranha Noir.

Antes de comprar a edição, pensei bastante se valeria a pena. Não tinha lido nada sobre ela, por isso não tinha referência se valeria o dinheiro. Mas, não resisti. Sou apaixonado por capas bem feitas, e é o caso desta. E o Homem-Aranha é meu herói favorito, o primeiro cujo gibi eu comprei, lá pelos meus 5 anos de idade. Assim, comprei consciente de que poderia valer apenas pela capa.

Neste tipo de história, o que me desperta maior curiosidade é como o escritor vai colocar os personagens em posições diferentes das que conhecemos sem perder suas características ou personalidades. O resultado é bastante satisfatório com quase todos, ficando a exceção com o repórter Ben Urich, que na história tem uma influência ativa e não apenas a de espectador, como habitual. Entretanto, não chega a incomodar ou comprometer o resultado final. Só não se parece com o Urich que conhecemos.

Eu avalio a qualidade de uma história pelo impacto que ela causa. Gosto de ser surpreendido enquanto leio, gosto de não conseguir perceber para onde a história está indo nem em conseguir adivinhar o desfecho. E isso acontece em Homem-Aranha Noir. David Hine e Fabrice Sapolsky jogam com nosso prévio conhecimento dos personagens para nos apontar uma direção e na última hora descobrimos que a coisa não é bem assim. Ao fim de cada capítulo você fica com vontade de continuar a leitura e só largar quando virar a última página. No fim, você fica satisfeito por ter comprado e lido uma revista inteligente. Como deveria ser sempre.  

Os desenhos foram outra boa surpresa. Condizentes com o estilo noir, cheios de detalhes, com páginas escuras e por vezes com apenas uma cor mudando apenas a tonalidade. As feições dos personagens são convincentes, conseguem transmitir a emoção do que estariam vivendo e com diferentes características entre si. Em algumas passagens vale a pena ficar alguns minutos admirando a arte de Carmine Di Giandomenico.

Após a leitura ganhei interesse maior sobre a obra e só então descobri que se trata de uma coleção da Marvel onde apresenta alguns de seus personagens sob a ótica noir. Esta semana (9/9) saiu X-Men Noir, da qual falarei num post futuro, uma vez que ainda não a li.

No fim da edição, o leitor ganha de brinde algumas páginas em três cores de capas alternativas, além das capas de cada uma das 4 edições originais que compõem a brasileira, assim como uma breve apresentação dos escritores e desenhista.

Se ainda encontrar nas bancas, compre sem receio e aprecie a obra.

Capa dura, papel couchê - 108 páginas - R$ 17,90 - Panini - 2011