Homem-Aranha Noir

Sempre fico receoso com edições especiais que mostram heróis em universos alternativos ou épocas diferentes das suas histórias mensais. Infelizmente, na sua maioria, o resultado não é satisfatório para o fã. Fica aquela sensação de caça-níquel.
Bem, não é o caso de Homem-Aranha Noir.
Antes de comprar a edição, pensei bastante se valeria a pena. Não tinha lido nada sobre ela, por isso não tinha referência se valeria o dinheiro. Mas, não resisti. Sou apaixonado por capas bem feitas, e é o caso desta. E o Homem-Aranha é meu herói favorito, o primeiro cujo gibi eu comprei, lá pelos meus 5 anos de idade. Assim, comprei consciente de que poderia valer apenas pela capa.
Neste tipo de história, o que me desperta maior curiosidade é como o escritor vai colocar os personagens em posições diferentes das que conhecemos sem perder suas características ou personalidades. O resultado é bastante satisfatório com quase todos, ficando a exceção com o repórter Ben Urich, que na história tem uma influência ativa e não apenas a de espectador, como habitual. Entretanto, não chega a incomodar ou comprometer o resultado final. Só não se parece com o Urich que conhecemos.
Eu avalio a qualidade de uma história pelo impacto que ela causa. Gosto de ser surpreendido enquanto leio, gosto de não conseguir perceber para onde a história está indo nem em conseguir adivinhar o desfecho. E isso acontece em Homem-Aranha Noir. David Hine e Fabrice Sapolsky jogam com nosso prévio conhecimento dos personagens para nos apontar uma direção e na última hora descobrimos que a coisa não é bem assim. Ao fim de cada capítulo você fica com vontade de continuar a leitura e só largar quando virar a última página. No fim, você fica satisfeito por ter comprado e lido uma revista inteligente. Como deveria ser sempre.

Os desenhos foram outra boa surpresa. Condizentes com o estilo noir, cheios de detalhes, com páginas escuras e por vezes com apenas uma cor mudando apenas a tonalidade. As feições dos personagens são convincentes, conseguem transmitir a emoção do que estariam vivendo e com diferentes características entre si. Em algumas passagens vale a pena ficar alguns minutos admirando a arte de Carmine Di Giandomenico.
Após a leitura ganhei interesse maior sobre a obra e só então descobri que se trata de uma coleção da Marvel onde apresenta alguns de seus personagens sob a ótica noir. Esta semana (9/9) saiu X-Men Noir, da qual falarei num post futuro, uma vez que ainda não a li.
No fim da edição, o leitor ganha de brinde algumas páginas em três cores de capas alternativas, além das capas de cada uma das 4 edições originais que compõem a brasileira, assim como uma breve apresentação dos escritores e desenhista.
Se ainda encontrar nas bancas, compre sem receio e aprecie a obra.
Capa dura, papel couchê - 108 páginas - R$ 17,90 - Panini - 2011